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Escrito por Célia M. às 20h53
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SAMPA
eu nunca pensei que os dias fossem azuis
no meio da multidão
cidade trágica de amor e de cimento
meu desejo encontra o seu em pensamento
os carros se cruzam como nossas vidas
tráfego de emoções
o sangue corre nas veias em zigue-zague
na rua, o beijo efêmero da saudade,
e a metrópole engole sonhos
entre os lençóis, meus gemidos,
em nossa cama, o exílio terno do êxtase urbano
onde tudo é achado ou perdido
(célia musilli)
Escrito por Célia M. às 20h53
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MAPA MUNDI
seus dedos percorrem os vãos
da sua gueixa francesa
rota de seda azul
o sexo rasgando um blues
em nossa tarde chinesa
(célia musilli)
Escrito por Célia M. às 23h42
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ETERNA VIAGEM
 Jack Keroauc e sua máquina de escrever: ele queria ser um "jazz-poeta"
"Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus/ arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa..."
Com essas palavras, no dia 13 de outubro de 1955, Allen Ginsberg levava ao êxtase a platéia de uma sessão poética que deflagrou o movimento beat. Há 50 anos, o histórico encontro da criatividade e da loucura na Six Gallery, em São Francisco, identificava a geração de escritores que misturou drogas, sexo, viagens e filosofias orientais.
Em 1957, o lançamento do livro "On The Road", de Jack Kerouac, selaria a experiência da literatura nômade figurando como uma espécie de "bíblia beat". Após sua leitura, os jovens não se aguentavam e caiam na estrada. Entre eles um cara chamado Bob Dylan.
Hoje, fãs ávidos por novidades esperam que "On The Road" chegue às telas, num filme dirigido por Walter Salles, que pretende rodá-lo entre 2007 e 2008. Se o brasileiro acertar a mão, é capaz de "On The Road" provocar uma onda de rebeldia criativa.. Não custa sonhar...a gente sempre espera que alguma coisa aconteça. Ou pelo menos espera resgatar os sonhos em filmes, livros, espetáculos...A arte é irmã da loucura. A criação, a instância possível da liberdade.
Escrito por Célia M. às 13h34
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CRIANÇA É ZEN

Tarde da noite, eu já tinha feito de tudo para meus filhos dormirem. Contei histórias, recapitulei a mitologia grega e eles, com as cabecinhas cheias de heróis, não sossegavam.
Aí, morta de sono, me lembrei das técnicas de meditação e sugeri:
"Agora vamos relaxar, limpar a mente."
E o Gustavo, então com 6 anos, disparou: "Limpar a mente, mãe? Tudo preto ou tudo branco?"
Foi assim que eu descobri que o moleque era ZEN...
Escrito por Célia M. às 19h30
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Onde está Valentina?
Está chegando às prateleiras o livro "Desnudando Valentina - Realidade e Fantasia no Universo de Guido Crepax", de Marco Antônio Luchetti, doutor em comunicação pela USP, professor universitário em Ribeirão Preto. Ele revira o mito pelo avesso, trazendo à tona as referências gráficas, literárias, sexuais e psicanalíticas que construíram Valentina nos anos 60. Também gosto muito de Valentina, para mim a heroína dos quadrinhos que encarna a modernidade. Ela é sexy, livre e sonhadora e, além disso ,é fotógrafa. A figurinha criada pelo italiano Guido Crepax (1933 - 2003) anda de baby doll pelas páginas e usa cabelo chanel. Mistura sex appeal com categoria, juventude com devassidão, realidade com fantasia. Seu criador soube dosar psicanálise com HQ e a moça instiga a liberação feminina sem cobrar "igualdades", mesmo porque sabe lidar com as diferenças.
Aí que está, mulher revolucionária não precisa deixar crescer o bigode, pode ser feminina e dona do seu nariz. Ter profissão sem ser máquina, ser submissa obedecendo as próprias determinações. Nos quadrinhos, perguntam a Valentina: "O que você pensa da liberação feminina?" Ela responde na lata: "Gosto do prazer". Para mim, a mocinha resolve assim a charada que valeu teses, livros, debates, guerra entre os sexos e ,ainda por cima, teve a qualidade de saber envelhecer. Ééé..a Valentina de Crepax chegou aos 40 anos usando óculos de grau, encarnando a mulher que gosta ser levada a sério apesar da beleza, provocando a revolução de modo muito particular. Valentina também liga a provocação a uma certa submissão...sem nenhuma culpa.
Dizem que Crepax inspirou-se na sua própria mulher para criar a personagem, a criatura onipresente que ele via em todos os lugares. No rastro de Valentina, Crepax ainda recriou outras personagens como "O", inspirada no clássico erótico francês "Histoire d"O, de Pauline Réage, na verdade o codinome de Dominique Aury. "O" era o supra sumo da devassidão nos anos 50. Valentina a "donna emancipata" dos anos 60. Para mim, depois que a liberação feminina transformou-se em mera questão de mercado de trabalho, as mulheres perderam o encanto. Falta a provocação das heroínas de Crepax nas donas da verdade que abandonaram as saias. Muitas de nós perderam a magia da submissão de araque, esqueceram o jogo da sedução. E o que atrai os homens é o mistério da mente feminina. Que o diga Valentina!!
Escrito por Célia M. às 23h52
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Escrito por Célia M. às 20h00
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Jogo da Memória
Hoje faz 20 anos que morreu Orson Welles, o criador de Cidadão Kane, um dos filmes emblemáticos do século 20. Welles estreou como ator em 1931, em Dublin, começou a trabalhar em rádio em 1934 e fundou o Mercury Theatre três anos depois. Criativo, assombrou Nova York em 1938 ao produzir e colocar no ar o programa Guerra dos Mundos, baseado na obra de H.G. Wells. Simulando uma invasão de marcianos na Quinta Avenida fez a América tremer...de medo. A ousadia é a marca dos gênios. As notícias estapafúrdias servem para espantar o tédio. O absurdo é a pura realidade. No reality show da minha cidade mendigos "pescam" moedas em bueiros. Com imã e um pouco de jeito enchem os cofrinhos sem pedir nada a ninguém. É a Guerra dos Mundos Subterrâneos. Marcianos caem do céu. Mendigos se safam pescando em bueiros. O noticiário é o território do non sense. Welles sabia disso quando colocou os E.Ts no coração de NY.
Escrito por Célia M. às 19h57
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Escrito por Célia M. às 10h56
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O sentido das tragédias
Abro os jornais e me deparo com a frieza dos números: Terremoto mata 30 mil no Paquistão. No mundo da notícia nos habituamos às tragédias, mas meu olhar jornalístico também se depara com as expressões humanas. Vejo a fotografia de uma paquistanesa. Perdeu o marido, o filho, a casa, as referências. Sobrou uma cabra e ela acaricia o animal como a única prova de que existia vida na sua aldeia, não existe mais. Uma imagem vale mais que mil palavras. Já me emocionei editando notícias, já chorei escondido vendo o desespero da mãe que perdeu o filho crivado de balas.
Às vezes a tragédia está longe, às vezes bem próxima. Dá vontade de ser Super- Homem, trabalhar no Planeta Diário, impedir a queda do suicida ainda no ar. Será o planeta um vale de sombras como vaticinam os apocalípticos?? Só sei que o planeta aguenta bem o tranco. Meu coração de jornalista nem tanto. Às vezes pulsa mais do que devia. Repito a manchete de todos os jornais: Terremoto mata 30 mil no Paquistão. Não há muito o que dizer no espaço de 25/30 toques.
No Brasil, Clóvis Bornay também faleceu no domingo, aos 89 anos. Mas este parece que morreu de alegria, na solidão dos seus paetês.
Escrito por Célia M. às 10h52
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Escrito por Célia M. às 00h59
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