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AQUÁRIO
No ondular pisciano
Sacudo as barbatanas
E aguardo tua atenção
De repente
O buraco negro dos seus olhos
Arremeteu olhar oblíquo
Na fantasmagórica lente dos potes
E o teu sorriso siamês
De arregalados dentes felinos
Assustou-me
Arredio
Encolho em concha de desejos reprimidos
Temendo pela sorte
Da água que nos separa
Cobiço tuas afiadas mandíbulas
Que prometem
A dor da delícia
Mas...se queres realmente
Não transborde o azul do cristalino
Apenas cole um aceno
Nas tuas retinas para sempre
(De: Carlos Alberto Muzilli, meu primo poeta)
Escrito por Célia M. às 22h05
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Escrito por Célia M. às 12h09
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Carta nômade
Na hora em que a noite se aquieta, no intervalo dos desejos dos que já partiram e de todos os que ficaram, reencontro a aventura. Essa é a hora em que me ponho a relembrar viagens. Vejo a extensão da terra encostando o céu, o horizonte retilíneo que faz do mundo um fio tênue, mas vasto e contínuo...
Primavera do Leste, face da rosa-dos-ventos para onde soprou o destino e onde ancorei meus beijos. Poema de Neruda. Carícia de plumas. Eu, território livre nos seus braços. Fui ao espaço novo, aquele que antevi num sonho, e aspirei seu pó com a paixão de um sol ardente. Sim, cada cidade é um mundo. Ainda que no mapa ela seja uma metrópole, ainda que no mapa ela seja uma aldeia, sua geografia é uma veia aberta ao explorador. Cada cidade respira e aspirar o ar que nunca entrou em meus pulmões põe-me em contato com uma energia que abre no meu coração uma caixa de lembranças, onde guardo minhas pegadas.
Aqui, São Jerônimo é uma serra... e um colar de maravilhas. Pequenas flores que se enfiam numa linha. Em bando, tiramos a roupa para mergulhar nas cachoeiras e as águas levam as maravilhas, rubis na correnteza, e nossos olhos pregados na procissão de flores pagãs.
No Solimões não vi cidades. Mas uma civilização de palafitas. A linha das casas fica aos pés do rio. Crianças remam para brincar na rua-rio, tão caudalosa, nos barcos que parecem de papel, mas são inusitada realidade. Líquida como eu nunca vi, animal terrestre que sou, nascida longe das águas, íntima da terra vermelha que engole a chuva com uma sede que nunca sobra para formar uma rua-rio, uma avenida liquefeita com crianças remando. Isso é coisa do velho Solimões.
Jardim das delícias, as frutas pendem sob as cabeças em Belém, pomar onde se planta também concreto. Há pencas de casas e prédios, mas a visão deliciosa é das árvores e dos seus frutos nas ruas. Os jambos são vermelhos até que neles se cravem os dentes. A brancura da polpa expele um sumo doce que escorre no meu queixo, eu deixo. Aparo nas mãos em concha, criança. E aquele cheiro de jambo deixa Belém no cio. Assim como eu fico quando perfilo palavras...
(célia musilli)
Escrito por Célia M. às 12h08
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POEMA FRÁGIL
quero experimentar no seu corpo
todos os lugares do mundo
tem sido assim quando não sei
aonde você está
e pergunto se este desejo intangível
frágil como pele de maçã
é suficiente para que me sinta,
ainda, como a mulher dos sonhos
se for para me afastar da realidade
ou decidir se me devolve à bruma
serei, antes de ser mulher,
uma tênue presença perdida
ou um achado que escapa
entre seus dedos
apenas a dois passos da felicidade...
(célia musilli)
Escrito por Célia M. às 17h14
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O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, um filme que eu veria mil vezes porque adoro...
histórias fantásticas
situações incríveis
saídas impensáveis
amores impossíveis
estradas surreais...
Escrito por Célia M. às 12h03
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Memória
na infância temos o dom de ver encantamento nos lugares desolados. Na minha rua existiam casas com porões, grandes, sombrios, mas com frestas de luz que deixavam ver o mundo de dentro e o mundo de fora...a luz das manhãs brilhantes espantavam os fantasmas do escuro...mas o mistério prevalecia em alguma hora do dia, quando entrávamos sorrateiros para ver as "relíquias" acumuladas em anos de história.
para que teria servido aquela gaveta desmembrada da cômoda? o pote de louça? a boneca sem cabelos nos olhando num canto como testemunha de todas as memórias? o mundo dos porões será sempre perdidamente mágico, de objetos inúteis que adquirem novo sentido à medida em que andamos através deles à cata de pistas, fábulas, flashs que nos remetam ao passado.
o passado é uma memória doída, de gargalhadas suspensas no tempo, de cadeiras sem braços, de teias onde pequenas aranhas passeiam por seus fios como se tentassem tecer o que foi e o que será.... nos porões da minha vida brinquei de esconderijo, estendi lonas de circo, equilibrei sombrinhas, colecionei vestidos da avó, da bisavó , da mãe, fazendo testes de mulher em saltos altos, muito altos, de onde eu via o futuro...
de vez em quando, algum garoto entrava para nos assustar. e insinuar que aquele mundo de memórias era de dar medo que afugentavámos com risadas, recomeçando a brincadeira como as aranhas incansáveis nos fios, como as résteas de luz que nos davam a certeza de que o mundo lá fora não tinha nenhum mistério e por isso nos recolhíamos em porões para tecer as lendas que , como as heras, só crescem onde habita uma inefável magia...
Escrito por Célia M. às 23h01
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Às mulheres da minha geração
(Texto do escritor colombiano Santiago Gamboa, com tradução livre de Luiz Augusto Michelazzo)
Há um tema em que sou radical e intolerante, para o qual não escuto argumentações: as mulheres da minha geração são as melhores e ponto. Hoje têm quarenta e poucos, inclusive cinquenta anos, muito belas, porém também serenas, compreensivas, sensatas e, sobretudo, diabolicamente sedutoras, isto apesar dos seus incipientes pés-de-galinha ou desta defeituosa celulite que capitanea suas coxas, mas que as fazem tão humanas, tão reais. Formosamente reais. Quase todas, hoje, estão casadas ou divorciadas, com a intenção de não se equivocar no segundo intento, que às vezes é um modo de aproximar-se do terceiro e do quarto intento.
Que importa? Outras, ainda que poucas, mantém um pertinaz celibatarismo e o protegem como a uma fortaleza sitiada que, de qualquer modo, de vez em quando abre suas portas a algum visitante. Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!
Nascidas sob a era de Aquário, com a influência da música dos Beatles, de Bob Dylan, de Lou Reed, do melhor do cinema de Kubrick e do início do boom latino-americano, são seres excepcionais. Herdeiras da revolução sexual da década de 60 e das correntes feministas que, entretanto, receberam passadas por vários filtros, elas souberam combinar liberdade com charme, emancipação com paixão, reivindicação com sedução. Jamais viram no homem um inimigo, apesar de que lhe contaram umas quantas verdades, pois compreenderam que se emancipar era algo mais que colocar o homem para esfregar o banheiro ou trocar o rolo de papel higiênico, quando este tragicamente se acaba e decidiram pactuar para viver em dupla, essa forma de convivência que tantos criticam e que, porém, com o passar do tempo, resulta ser a única possível, ou a melhor, ao menos neste mundo e nesta vida. São maravilhosas e têm estilo, as mulheres da minha geração, mesmo quando nos fazem sofrer, quando nos enganam ou nos deixam.
(continua)
Escrito por Célia M. às 23h50
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(continuação)
Elas usaram saias indianas aos 18 anos, enfeitaram-se com colares andinos, cobriram-se com suéteres de lã e perderam sua parecença com Maria, a Virgem, em uma noite louca de sexta-feira ou sábado, depois de dançar El Raton, de Cleo Feliciano, na Teja Corrida ou em Quebracanto, com algum amigo que lhes falou de Kafka, de Gurdjieff e do cinema de Bergman. No fundo de suas mochilas havia pacotes de Pielroja, livros de Simone de Beauvoir, fitas de Victor Jara e, ao deixar-nos, quando não havia mais remédio senão deixar-nos,
deidicavam-nos aquela canção de Hector Lavoe que é, ao mesmo tempo, um clássico do jornalismo e do despeito e que se chama "Teu amor é um jornal de ontem." Falaram com paixão de política e quiseram mudar o mundo, beberam rum cubano e aprenderam de cor canções de Silvio Rodriguez e Pablo Milanez, conheceram os sítios arqueológicos, foram com seus namorados às praias, dormindo em barracas e deixando-se picar por pernilongos porque adoravam a liberdade, algo que hoje inculcam em seus filhos, o que nos faz prever tempos
melhores e, sobretudo, juraram amar-nos por toda a vida, algo que sem dúvida fizeram e que hoje
continuam fazendo na sua formosa e sedutora madurez. Souberam ser, apesar da sua beleza, rainhas bem educadas, pouco caprichosas ou egoístas. Deusas com sangue humano. O tipo de mulher que, quando lhe abrem a porta do carro para que suba, se inclina sobre o assento e, por sua vez, abre a do seu acompanhante por dentro. A que recebe um amigo que sofre às quatro da manhã, ainda que seja seu ex-noivo, porque são maravilhosas e seu sangue não é gelado o suficiente para não nos escutar nessa salvadora e última noite, na qual estão dispostas a servir-nos o oitavo uísque e a colocar, pela sexta vez, aquela maldita melodia do Santana. Por isso, para os que nascemos entre as décadas de 40 e 60, o dia da mulher é, na verdade, todos os dias do ano, cada um dos dias com suas noites e seus amanheceres, que são mais belos, como diz o bolero, quando está você. Como são belas, por Deus, as mulheres da minha geração...
Escrito por Célia M. às 23h45
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Aos homens da minha geração
Célia Musilli
(Resposta ao texto do escritor colombiano Santiago Gamboa sobre as mulheres de 40/50 anos)
De uma coisa não abro mão: ainda prefiro os homens da minha geração. É certo que não têm mais a juventude que ofuscava nossos sentidos quando tínhamos 17, 18 anos e passavam como anjos luminosos que nos atraiam nas noites de sábado dançando um rock desvairado enquanto destilavam, do copo de rum ou cerveja, versos livres de Jim Morrison ou Neruda. Eles amadureceram, registrando na passagem do tempo coisa de 20, 30 anos, desde que demos a largada numa corrida de motocross que nos transformou em personagens "sem destino", sabendo muito bem aonde queríamos chegar... A idade lhes deu um ar de inexorável superioridade que defendo ao contrapor minhas opiniões com as de outras mulheres que se derretem por garotões acreditando que, estes sim, são capazes de nos levar de volta à fonte da irresponsável e doce juventude. Bobagem...ainda prefiro beber no corpo dos homens da minha geração...
Com eles ouvi os Beatles, Chico, Caetano, Miles Davis e ensandeci a alma nas manhãs de protesto em que engolíamos a seco o fato de vivermos anos de chumbo num país que queríamos amável, consciente, politizado. Com os homens da minha geração, construí planos de subverter a ordem, enquanto decantávamos Gramsci e Sartre, guardando uma parte do tempo para as poesias de Pound e Drummond. Hoje, quando encontro um homem da minha geração, ainda reverencio a contemporaneidade que aproximou, nos anos 60/70, homens e mulheres com idéias novas acerca de sexo, comportamento, cultura, política, fazendo parte de todas as benfazejas revoluções.
O mundo nunca mais foi o mesmo desde que trocamos livros e sonhos, passando de mão em mão os conceitos de uma sociedade libertária em que as diferenças são somadas em vez de dividir as águas. Hoje, quando ainda os encontro de jeans e camiseta, lembro dos discursos que caiam em frases bem colocadas no peito dando-lhes um ar de irreverência que nos incitava, enfim, a deixar de ser moças bem-comportadas.
Com eles viajamos de carona à praia mais próxima descobrindo a magia de um luau muito longe do Hawai. Ao violão, entoamos bossa-nova, sambas de Cartola e canções de protesto, com espaço para o tempero indispensável dos Mutantes, abertos a abordagens que nos tornaram herdeiros da cultura pop, da beat generation, dos hippies e da praças empoeiradas, onde os heróis nunca perderam a ternura.
(continua)
Escrito por Célia M. às 23h45
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(continuação)
Alguns acenderam incensos à nossa volta nos transformando em deusas modernas, outros nos incentivaram a usar a boina das guerrilhas e os conceitos que transformaram o mundo num momento único. Uma idéia na cabeça, muitas câmeras na mão...Glauber e Roger Vadim, Brigite, Leila Diniz e Simone, saídas à francesa do quarto revirado em que nos desnudávamos da opressão.
Com eles nos deliciamos com a consciência de Mafalda e a porra-louquice da Rê Bordosa, tornando mais leves as manhãs em que acordávamos com um parceiro que nunca tínhamos visto antes, sem exercer a penitência. Eles mesmos nos ensinaram a não levar a vida a ferro e fogo, nem o sexo tão a sério a ponto de impedir um sopro de aventura. Eles também nos ensinaram que, nesta hora, vale mesmo é o bom humor para não cair na armadilha do pudor que, afinal, só nos sufocaria até o próximo porre de tequila. Por tudo isso, nunca vou deixar de reverenciar os homens da minha geração... Com eles aprendi que a medida exata das coisas é optar pelo risco de viver e que todas as tentativas de felicidade são válidas.
Desentalamos juntos o grito anárquico das gargantas e partimos para sempre rumo às galáxias da consciência de que ser homem ou mulher não é bom nem ruim. É apenas natural como o punhado de tâmaras que mastigamos sonhando com a liberdade que nos aguardava em Londres, Ipanema ou Marrakesh...
Escrito por Célia M. às 23h43
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CENA
uma delicadeza
meias de seda
em pernas de mulher
com certeza...
(célia musilli)
Escrito por Célia M. às 12h31
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parabéns na rede
hoje é aniversário da maria angélica, minha melhor amiga. outro dia ela falou de mim no seu blog, chegou o dia de retribuir. o que dizer dela? é uma cigana de vanguarda...a pessoa que me ensinou a enxergar a vida enviezada, a pôr em dúvida certos conceitos, a balançar a tenda, chutar o balde. eu terminei a faculdade de comunicação pensando em fazer mestrado, doutoramento. demorei um pouco a perceber que as universidades são uma espécie de "cemitérios de idéias", sem muita permeabilidade para o mundo aqui de fora. então pulei o muro da cultura com a mariangélica, uma autodidata muito talentosa. com ela, aprendi a descer das torres do conhecimento para perceber a arte de rua, os movimentos marginais, o escritor underground, o intelectual vagabundo, pessoas que servem ou não servem para coisa alguma, mas são geniais, gauches, vivem pelo avesso, porque ninguém aguenta fazer tudo certo...começava assim a expansão da minha utopia, transbordando como um rio de idéias.
a história familiar da mariangélica é muito interessante e justifica seu talento natural para a escrita, o teatro, o jornalismo, o esoterismo. ela vem de uma tribo de intelectuais que deu muito ao país. é sobrinha da atriz Lélia Abramo, do jornalista Cláudio Abramo, do gravurista Lívio Abramo, da crítica de arte Radha Abramo e, enfim (ufa!!) ,prima da astróloga da Folha de S.Paulo Bárbara Abramo... se conto isso é para justificar que ela cresceu assim, meio selvagem, fazendo em casa mesmo a antropofagia da cultura brasileira. em outras palavras, já devorava cultura às colheradas, junto com a papinha de banana.
deu no que deu. escreve para jornais e para o teatro. e, não duvidem, se pedirem um roteiro de cinema ou TV ela dá conta, tritura, é ótima nos diálogos. mas pra não pensarem que seu talento é feito apenas deste brilho intelectual que admiro, porque acho idéias instigantes, eu digo também que ela é ótima pessoa, anarquista convicta, um ser libertário com coração de manteiga, embora vingativa como boa escorpiniana...rsss, sensibilidade à flor da pele...
além disso, tem veia cigana que aflora quando lê tarot, faz alquimia, aromaterapia e tudo o que envolver certo conhecimento oculto e algum mistério. quando ela mexia com seus potes e poções (éée..., porque ela faz cremes, perfumes, unguentos) seu pai, o velho e ótimo pintor Décio Abramo, dizia: "minha filha, se você usasse suas "mesinhas" , como usa hoje, na Idade Média, já teria queimado na fogueira!" guardo dele, além dessa frase, uma tela abstrata que me pacifica a mente.
o pai conhecia a filha que lhe deu netos maravilhosos, meu afilhado Juca, o biólogo, e minha "quase" filha Isadora, que tem olhos verdes e nome de bailarina. conheço há muito tempo essa família, convivo com ela, o que me faz pensar no modo como se estabelecem no mundo os pactos e as afinidades. amigos, às vezes, significam bem mais do que "parentes serpentes"...rss.
sem cobrar nada, entram em nossa vida para sempre. com alguns escrevemos livros, cultivamos histórias que duram como este repertório que tenho com a mariangélica, que também me diverte porque tem ótimo humor. adoro viajar com ela, na imaginação ou cruzando fronteiras. mas não desafiem a "selvagem"...ela defende os amigos e é implacável com os inimigos, com ela aprendi a não ser uma menina boazinha porque, afinal, não queremos mesmo ir para o céu...
eu e mariangélica: uma amizade à prova de bala no dia do referendo...rss
parabéns, mariangélica, amor e muita luz sobre todos os seus talentos. obrigada por tudo.... beijosss
Escrito por Célia M. às 17h47
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